O município de Amarante, no coração do Piauí, foi anunciado como vitrine do “novo desenvolvimento sustentável”. Em dezembro, estão previstas a inauguração de duas usinas de energia solar, cada uma com 3.444 kWp de potência, totalizando 6.888 kWp, com mais de 11 mil placas fotovoltaicas instaladas atrás do Loteamento Recanto dos Pássaros, hoje uma das áreas mais valorizadas da cidade.
No discurso oficial, trata-se de um marco histórico, energia limpa, futuro verde e progresso.
Na prática, porém, o que emerge é um escândalo político, ambiental e institucional, que ameaça transformar Amarante em símbolo nacional da hipocrisia do “verde de fachada”.
ENERGIA SOLAR À CUSTA DE TERRA ARRANCADA
Por trás das placas solares reluzentes, surgem denúncias graves: a empresa UFV PI AMARANTE I E II LTDA é acusada de promover a retirada ilegal de mais de 5.000 metros cúbicos de terra, em áreas de loteamento, sem autorização dos proprietários, sem licença ambiental clara e com impactos diretos na estrutura urbana e no meio ambiente.
O cenário deixado para trás é de erosão, desfiguração do solo, risco estrutural e desvalorização social, especialmente em uma área residencial estratégica. O que deveria ser símbolo de sustentabilidade virou, para muitos moradores, sinônimo de abuso de poder econômico.
CADEIA DE RESPONSABILIDADE: QUEM COMPRA A ENERGIA TAMBÉM RESPONDE
O ponto mais grave — e convenientemente ignorado — é que não existe empreendimento energético isolado.
Além da empresa executora, há a empresa cessionária e corresponsável pela energia solar gerada, que se beneficia economicamente do projeto e não pode alegar ignorância diante de irregularidades ambientais.
A legislação ambiental é clara: quem se beneficia do dano, responde pelo dano.
Não basta comprar energia “limpa” se o processo de implantação está manchado por ilegalidade, omissão e destruição ambiental.
Energia limpa não absolve crime ambiental.
Contrato de cessão não apaga responsabilidade.
Lucro não autoriza devastação.
NOTIFICAÇÕES, DENÚNCIAS E PRESSÃO NACIONAL
Diante da gravidade dos fatos, foi expedida NOTIFICAÇÃO E INTERPELAÇÃO EXTRAJUDICIAL, com cópias encaminhadas para:
Delegacia de Polícia, para apuração criminal;
Ministério Público, para responsabilização civil e ambiental;
ANEEL, órgão regulador do setor elétrico;
Ministério do Meio Ambiente, diante do impacto ambiental direto.
O recado é claro: não se trata mais de um problema local, mas de um caso que envolve regulação federal, política energética e respeito à Constituição.
O SILÊNCIO QUE GRITA
Até agora, o que se ouve é silêncio.
Silêncio da empresa.
Silêncio da cessionária da energia.
Silêncio de setores do poder público.
Esse silêncio não é neutro — ele protege interesses econômicos e escancara a desigualdade de forças entre grandes empreendimentos e pequenas comunidades.
AMARANTE NÃO ACEITA SER PALCO DE FARSA VERDE
O povo de Amarante não é contra a energia solar.
É contra o uso do discurso ambiental para encobrir irregularidades, atropelar direitos e tratar o território como se fosse descartável.
Se o preço da “energia limpa” for terra arrancada, loteamento destruído e lei ignorada, então não estamos falando de sustentabilidade — estamos falando de colonialismo energético moderno.
Amarante exige respostas.
Exige responsabilização.
E deixa um aviso claro ao país:
Energia limpa não pode nascer de práticas sujas.
Por Redação